quarta-feira, 28 de abril de 2010
Informe - Filme Ensaio sobre a cegueira
Encontrei com Camila na Jornada Pedagógica do CBCE, em Alagoinhas e disponibilizei uma cópia do filme Ensaio sobre a cegueira para ela, conforme combinado, no intuito de facilitar a realização das atividades combinadas para o dia 08.05.
Favor encaminhar aos "faltosos" do nosso primeiro encontro os nossos combinados.
Grande abraço!
Boa micareta!
Angelo
sábado, 17 de abril de 2010
Relato da aula - 17.04
A idéia é que a cada semana, um aluno se comprometa em fazer o registro da aula e postar para que todos tenham acesso sobre os pontos discutidos.
A aula teve como propostas:
1 - Apresentação do professor e alunos
2 - Expectativas sobre a disciplina
3 - "Construção" do plano de curso
4 - Desafio de integração.
A apresentação ocorreu a partir de apresentação de cada aluno pelo colega e o professor falou da importância de ter sonhos e transformar estes sonhos em metas.
Foi realizado um exercício de Evocações Livres, a partir do termo indutor: DIDÁTICA.
Em seguida foram traçadas as expectiativas sobre a disciplina que de um modo geral foram traçadas questões sobre:
compreender os saberes necessários a docencia;
as taticas de ensino;
o bom professor;
competencias para o exercicio profissional;
elementos par asaber ensinar / como ensinar / aplicação dos saberes na educação fisica.
O professor faz uma reflexão sobre as proposições relacionando os motivos da disciplina ser chamada dessa forma a partir das considerações da Didática, Organização do Trabalho Pedagógico e dos Saberes Necessário à Docência e apresenta sua propostas de trabalho para a disciplina que se articula com os anseios dos alunos sobre a dsiciplina.
Discussão sobre a sociedade e a escola;
Elementos da Docência no campo da educação;
Docência em Educação Física;
Téncnicas e estratégias de ensino.
Foi definido os combinados:
o blog e o uso do e-mail como forma de comunicação.
Na aula do dia 24.04 será a exibição do filme Ensaio Sobre a Cegueira (não presencial) e leitura do texto sobre olhar de Rubem Alves (ver outra postagem), fazer comentarios sobre o filme e responder as trÊs questões:
E eu com isso?
O que a Educação Física tem com isso?
O que a Escola tem com isso?
Luana ficou de digitar os e-mails e enviar para o professor.
A dinâmica de integração foi fazer o anúncio de uma escola, considerando:
os professores são semi-analfabetos;
as turmas são divididas por altura;
o índice de aprovação no vestibular é 0,99%
As apresentações ocorreram com bastante criatividade e envolvimento dos 15 presentes.
Atenciosamente,
Angelo Amorim
terça-feira, 13 de abril de 2010
A escola
| Rubem Alves Os pensamentos me chegam de forma inesperada, sob a forma de aforismos. Fico feliz porque sei que Lichtenberg, William Blake e Nietzsche frequentemente eram também atacados por eles. Digo “atacados“ porque eles surgem repentinamente, sem preparo, com a força de um raio. Aforismos são visões: fazem ver, sem explicar. Pois ontem, de repente, esse aforismo me atacou: “Há escolas que são gaiolas. Há escolas que são asas“ Disponível em: http://www.rubemalves.com.br/gaiolaseasas.htm . Acesso em 13.04.2010 às 14:15h Angelo |
O que você anda vendo?
Ela entrou, deitou-se no divã e disse: "Acho que estou ficando louca". Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. "Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões - é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões... Agora, tudo o que vejo me causa espanto."
Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as "Odes Elementales", de Pablo Neruda. Procurei a "Ode à Cebola" e lhe disse: "Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: 'Rosa de água com escamas de cristal'. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta... Os poetas ensinam a ver".
Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.
Adélia Prado disse: "Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra". Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.
Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. "Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios", escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada "satori", a abertura do "terceiro olho". Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: "Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram".
Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, "seus olhos se abriram". Vinicius de Moraes adota o mesmo mote em "Operário em Construção": "De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa - garrafa, prato, facão - era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção".
A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas - e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam... Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.
Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras. Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: "A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas".
Por isso - porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver - eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar "olhos vagabundos"...
O texto acima foi extraído da seção "Sinapse", jornal "Folha de S.Paulo", versão on line, publicado em 26/10/2004.
Disponível em: http://www.releituras.com/i_airon_rubemalves.asp. Acesso em 13.04.2010
Angelo
terça-feira, 6 de abril de 2010
Livros, textos e outros
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Angelo Amorim